terça-feira, 8 de maio de 2012
073- Ser gay...
Esse post no meu blog é sobre o assunto da semana no brejo (http://www.youtube.com/user/oBrejo?feature=watch).
Não pude gravar o video, como é de costume, mas quis falar sobre o assunto então escrevi sobre ele aqui! E o tema é: Se assumir para a familia!
O tema dessa semana é muito decorrente, muito comum! O que na verdade não deveria ser comum! É como se você virasse para seu amiguinho e perguntasse: ''Como foi quando você se assumiu hétero para a sua mãe? Ela te aceitou?'' Mas como ser hétero é o que a sociedade aceita e acha certo, não existe esse tipo de situação. Já ser gay, é completamente incomum e há essa necessidade de saber como nossos pais reagiram a essa notícia e infelizmente só há essa necessidade porque há a possibilidade que os pais não te aceitem.
Ser gay não é comum.
Ser gay não é o certo.
ser gay não é legal.
ser gay vai contra a deus e seus ensinamentos, segundo papas, padres, pastores e a biblia!
ser gay é promiscuo.
Ser gay é ter aids.
Ser gay é ser comparado com drogas com comentários do genero ''se você quiser, você para de ser gay, igual às drogas''.
Ser gay é apanhar em casa ou ser ameaçado pelos próprios pais.
Ser gay é ou tem que apanhar na rua, tem que ser morto.
Ser gay não é ser gente, ser humano.
Ser gay não é ser filho, pai, mãe, avó, avô ou qualquer outro parente que você possa ser de alguém.
Ser gay não é estudar e ter um futuro e virar deputado do rio, ou um médico, advogado.
Ser gay não é ser saudável e se precaver em suas relações sexuais!
Ser gay não é ser digno, é não ter escrupulos, é não ter direitos.
Ser gay é não existir.
E por conta desse pensamento, quase que maioritário, que o povo quer saber se somos aceitos pela familia, o grupo de entes queridos que mais nos aceitam certo? Errado. Deveriam sim aceitar, mas não aceitam. A familia que deveria te dar mais apoio e te defender quando ninguém faz isso, muitas vezes a familia é a primeira a correr.
Acredito que a maioria das pessoas que assistem o brejo sabem que eu não sou aceita pela minha mãe e meu pai. Não vou contar a história de novo, quem quiser saber, veja no meu canal o video #20 (http://www.youtube.com/watch?v=kV3rou1KSa8).
Quando a gente nasce, principalmente o primogênito, que é o meu caso, os pais põe muita pressão e expectativa na gente. Vocês podem começar a reparar, com os primogênitos os pais são mais rudes, mais rígidos, te prendem mais, brigam mais com você, te impedem de muitas coisas. Primeiro por ser o primeiro filho, não sabem muito bem como educar, então agem de uma maneira que acha certa e que muitas vezes são espelhadas nos nossos avós e aplicam nos dias de hoje. Claro que isso está errado. Nada que acontecia na época de nossos avós é igual aos dias de hoje e se deve ser aplicado. Segundo que eles querem que sejamos um exemplo para nosso irmão/irmã mais nova, claro que isso não acontece, principalmente porque nossos irmãos não são a gente e nós não somos eles, temos formas de pensar e de agir muito diferentes, mesmo que sejamos parecidos em muitas coisas, temos nossas diferenças! Seu irmão mais novo vai se espelhar em você se quiser, mas isso não é uma obrigação, portanto os pais colocarem pressão para que sejamos um exemplo está errado. Além disso, eles colocam as tais expectativas na gente, traçam todo um futuro para nós, que vamos nos casar, dar-lhes netinhos e netinhas, ter uma vida estabilizada, com um emprego e curriculum bom. E a partir do momento que você diz: sou gay. Dois sonhos deles já morrem: casar e ter filhos. Dramáticos do jeito que são, concluem que o de ter emprego e vida estabilizada também não vai acontecer.
Ser gay não influencia no seu carater ou no que você quer ser da vida, se você quer ser um irresponsável que não para quieto em nenhum emprego e vai pra balada todo dia, o problema é tooodo seu e isso não é porque você é gay. Héteros também fazem isso!
Eu me assumi tinha 16 anos, me diz o que eu sabia da vida. NADA! A única coisa que sabia é que gostava de mulheres, mas não tinha me visto gay ainda. Não existi aquela criança, aquele adolescente que não dê sinais que é gay. Aquele menino que se arruma demais, aquele menino que nunca teve uma namoradinha, aquela menina que odiava bonecas, aquela menina que ama jogar futebol... tudo muito superficial e discreto, mas em algum momento a mãe vai perceber que você dava sinais quando pequeno. Não sei se a minha já realizou isso. Se for para eu dar algum conselho sobre quando se assumir e como se assumir, aconselho vocês a se assumirem quando for maior de idade, assim não terá, ou terá na verdade, aquele papo de: ''você não sabe nada da vida, esta confuso, é só uma fase.'' Com 18, você tem a liberdade que quiser buscar e sua mãe não poderá impedir. Mas só se assuma debaixo do teto dela quando você não estiver mais aguentando guardar isso pra você, que foi o meu caso, mas fui prematura. E o como se assumir
só você saberá, só você conhece os pais que tem, não posso opinar sobre isso! Eu escrevi uma carta. Sou dessas. Cartas são a forma mais direta de se falar sobre um assunto sem que a pessoa te interrompa o tempo todo e ignore as coisas que diz. Carta pode ser guardada e relida sempre que quiser. Minha mãe guardou a carta e me fez assinar a carta falando: ''Assina isso e assuma a responsabilidade que você acabou com a minha vida''. Assinei, claro!
Em relação aos seus amigos, eu não sei se meus amigos desconfiavam que eu era sapatão, até porque eu até que beijei bastante meninos, mas quando me assumi também não houve problema nenhum, não que tenha sido na minha cara. Mas já ouvi coisas do tipo: ''Você não é gay meo.. você é mtu linda''. Oi? E até hoje muitos dos meus amigos ainda juram de pé juntos que eu não sou gay. Não posso fazer nada né?
O que você tem que fazer e ter na sua cabeça é que você é o que é, não vai mudar e nem tem como mudar. Tem que provar para sua familia o quão decente você é e mostrar que ser gay, não vai mudar o que você quer pra sua vida. Tendo isso na sua cabeça, vá ser feliz. Não são seus pais que vão controlar você ou sua felicidade.
Mãe é mãe, pai é pai, eles vão te amar independente do que, mesmo que seja dificil assumir pra eles. Enfiem na cabeça de vocês!
Assistam e mandem seus pais assistirem Prayers for bobby ou Orações para bobby! É um filme lindo, merece uma atenção especial!
É isso ai, desculpa por não ter video hoje. Espero que vocês leiam esse post!
Não esqueçam de divulgar o canal, os videos, clicar no ''gostei'', de sugerir temas e gravar um video-resposta pra gente!
Maria até amanha, Xisto até sexta! Até quarta que vem, gente!
Nóis!
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Minha rosa.
Lembro-me como se fosse ontem o dia que eu conheci a menina na qual sou apaixonada. A fiz andar de salto a paulista toda, pra chegarmos em um bar e eu não tomar iniciativa nenhuma. Conversávamos sempre por sms e combinamos outro dia pra sair, fomos no cinema assistir um filme chamado Melancolia, conhece? Então, filme bacana e tal, mas meu pensamento estava mesmo nela, em beijá-la, em criar alguma forma de situação, de clima para poder beijá-la. Não me lembro como a beijei, acho que dei um beijo no rosto,
ela entendeu, virou o rosto e me beijou e meu mundo girou! Até esqueci que a sala do cinema estava cheia e que tinha uma senhora de idade do nosso lado. Um beijo gostoso, lento... um dos meus melhores beijos, certeza. Eu não sei se era muita timidez para pouco nós, não sei se era muito orgulho ou se era ''vou deixá-la tomar todas as iniciativas'' de ambas as partes ou se era apenas aquele momento que você pára e pensa: ''porra, isso foi bom. O que será que significa?'', uma coisa meio surreal. Meio que depois desse beijo, o mundo pareceu mais macio de se pisar e mais fácil de se encarar. Nos vimos outras vezes depois sabe?
Tava meio estranho a gente ficar sem se ver, pelo menos pra mim. Mas um dia, eu fiz uma besteira. Fui para uma festa e acabou acontecendo de beijar outra pessoa. Ela não estava la, e talvez nem queria ir, brigamos por isso, e foi tudo tão rápido que quando vi a menina ja tinha me beijado. Me arrependi, logico. E não pus a culpa nela por ela não ter ido, isso não justifica sabe? Pedi desculpas, lhe dei uma rosa, ela me perdoou e eu continuei dizendo que faria de tudo para reparar esse erro. Mas, talvez ela não queria mais, talvez ela me perdoou por não querer mais e nosso relacionamento indefinido foi esfriando, ela foi mentindo cada vez mais pra mim e eu terminei com ela. O que foi super doloroso pra mim, gostava dela de verdade, estava disposta a dar meu mundo à ela, enquanto ela não estava preocupada comigo ou pelo o que sentia por mim! Ela tentou contato algumas vezes comigo, ignorei por medo de ceder, porque eu sempre cedo no final. Sabia que se eu lesse as mensagens que ela me mandava com aqueles erros de digitação que a faziam ser a coisa mais linda do mundo, eu iria ceder. Sabia que se eu respondesse, ela saberia um jeitinho de me deixar tonta e acreditar de novo. Sabia que se ouvisse a voz dela, derreteria e por consequência cederia.
Mas claro, os meses se passaram, a tratei com muita frieza e indiferença, com grosseria e coisas desnecessarias para ver se ela se irritava me mandava tomar no cu e sumisse da minha vida, seria menos doloroso que tê-la e não poder tê-la realmente de fato. Porque eu sabia e sempre soube que ela dava mais
prioridade ao trabalho dela do que a qualquer outra coisa ou pessoa. O que não é ruim, ela sabe que o que eu mais admiro e mais me orgulho nela é essa sede de trabalhar e crescer na vida, querer ser independente e tenho quase certeza que eu não estou nos planos de futuro dela. E por ter essa tamanha dedicação por sua vida trabalhística que sei que ela não vai mudar tão cedo, nem por mim, nem por ninguém. Não a culpo. Só tenho esperanças de que ela consiga organizar melhor o tempo dela e que nesse tempo tenha um espaço pra mim, quem sabe, um dia, talvez... duas horas que seja né? Já basta!
Eu e ela ficamos um tempo brigando, sem se ver, só discutindo incansavelmente, não que não cansasse, cansava e como cansava, acabava comigo, o que não cansava era minha vontade de tê-la de novo e que desse tudo certo dessa vez. [...] Terminamos implicitamente. Fiquei com outra menina que aparentemente me faria esquecer ela e que gostava de mim. Um dia ela apareceu em uma festa, sem eu saber. Foi um choque tão grande pra mim, fiquei desnorteada. Fazia tanto tempo que não a via e ela estava tão, mas tão linda. Estava tão linda que seu corpo me dizia: ''Que saudades eu estava de você''. E eu também estava, muita saudades. E ela estava e na ânsia de matar a saudade, tentou me beijar. Recuei. ''Não podia, ou não queria, ou já não sabia mais como voltar atras'' foi o que disse Caio Fernando em um de seus textos e foi o primeiro pensamento que me veio na cabeça na hora. Não, não a beijei. E você sabe o quanto isso me doeu? Sabe o quanto eu me segurei para não chorar? O mundo que parecia duro novamente para se andar, ansiava por aquele momento e eu não quis.
E eu achei que nunca mais poderia voltar atras, estava me achando mais forte e chegou a passar pela minha cabeça em um milésimo de segundo que eu havia esquecido-a e que ela não passava de uma garota do meu passado. Errei. Mensagens durante a madrugada dizendo que sumiria da minha vida, e depois dizendo que me amava me fizeram entrar em um colapso, chorei. Chorei muito, dramatizei mais um pouco pra chorar mais, chorei até vomitar de tanta força que fazia no meu abdomen que se contraia de dor. Falei
naõ varias vezes pra mim, ''não luana, você não pode. não luana, esquece. não luana, ela não merece''. Me bati na esperança de me apagar e depois acordar sem lembrar do porque fiz isso. Disse não pra ela, mandei ela embora, falei pra ir logo e acabar com isso. Ela não foi, eu não fui. Metade ficou, metade se foi.
Minha rotina a partir daquele dia se tornou em: pensar, pensar, pensar, pensar. E pensar mais uma vez para ter certeza. E tive. Disse para mim mesmo: Vou jogar todas as minhas cartas, todas as minhas chances, minhas possibilidades, minha paciência e minhas roupas em uma mesa pra ela. Me desnudar, desnudar meus sentimentos, me mostrar pele e osso, carne e sangue, querendo dizer que tudo aquilo é dela e mostrar que quero começar do zero, esquecer tudo que ela fez ou deixou de fazer. E querendo que ela esqueça tudo que fiz ou deixei de fazer. Só tem uma coisa que eu espero que ela não tenha esquecido e que não esqueça. No dia que entreguei a rosa pra ela, ela tinha comentado que não gosta de rosas. E eu me lembro de ter falado à ela que da próxima vez daria sementes de rosa. Sabe por que? Rosas não são flores fáceis de cuidar, assim como o amor entre duas pessoas. Disse a ela que daria as sementes, ela plantaria no quintal dela e cuidaria para a roseira começar a crescer, assim como o que nós sentíamos uma pela outra. E quando crescesse a roseira, ela cuidaria mais ainda para não morrer, assim como o que nós sentíamos uma pela outra. Será que ela lembra disso? Será que arrisco comprar sementes de rosa pra ela? Será que ela aceitaria as sementes como chances para nós? Será que ela cuidaria? Será que ela me aceita de volta?
sexta-feira, 23 de março de 2012
Os companheiros
Mas a verdade é que chega-se sempre longe demais quando não se quer Ir Direto Aos Fatos, e o problema de Ir Direto Aos Fatos é que não há cir-cun-ló-quios então, e a maiora das vezes a graça reside justamente nesses Vazios Volteios Virtuosos, digamos assim: que não haja beleza nos fatos desde que se vá direto a eles? Ou que não exista mistério, que seja insuportavelmente dispensável gostar dos tais circunlóquios. Ultrapasse-os, ordeno. Acontece que. Não, nada acontece- mas, por favor, não falemos disso agora.
(Caio Fernando)
(Caio Fernando)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Vendo
Vendo os olhos de quem não me quer.
Vendo os olhos das pessoas que não sabem.
Vendo meus olhos pra não me iludir.
Vendo meus olhos para não enxergar.
Veto os pormenores.
Veto-os para poupar comentários.
Vendo os olhos de quem eu quero.
Vendo-os para evitar contradições.
Poupo ouvidos de detalhes sórdidos.
Poupo-os para evitar malícias.
Poupando a vida de certos relacionamentos.
Poupo-a para não haver certos rompimentos.
Poupando a vida evitarei desgastes.
Poupo-a para descansar melhor.
Veto o meu direito de vendar os outros para poupar as minhas idéias.
(15/05/08)
Vendo os olhos das pessoas que não sabem.
Vendo meus olhos pra não me iludir.
Vendo meus olhos para não enxergar.
Veto os pormenores.
Veto-os para poupar comentários.
Vendo os olhos de quem eu quero.
Vendo-os para evitar contradições.
Poupo ouvidos de detalhes sórdidos.
Poupo-os para evitar malícias.
Poupando a vida de certos relacionamentos.
Poupo-a para não haver certos rompimentos.
Poupando a vida evitarei desgastes.
Poupo-a para descansar melhor.
Veto o meu direito de vendar os outros para poupar as minhas idéias.
(15/05/08)
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O templo da moda
Disse, o Mestre, que no passado o sistema masculino considerava as mulheres uma classe inferior, amordaçara-as, queimara-as, apedrejara-as. Com o tempo, elas se libertaram, resgataram parcialmente seus direitos. Fez uma pausa nas suas idéias e citou o número ''um''. Fiquei inquieto com a citação numérica no meio do diálogo. O mestre comentou que as mulheres começaram a votar, brilhar no mundo acadêmico, crescer no mundo corporativo, ocupar espaços nos mais diversos territórios sociais; as mulheres tornaram-se cada vez mais ousadas. Com eficiência, começaram a mudar algumas áreas vitais da sociedade, a introduzir tolerância, solidariedade, companheirismo, afeto e romantismo. Mas o sistema não as perdoou pela audácia.
Preparou pera elas a mais cafajeste e sorrateira das armadilhas. Em vez de exaltar sua inteligência e not´ria sensibilidade, começou a exaltar o corpo da mulher como nunca na história. Usou-o exaustivamente para vender produtos e serviços. Aparentemente elas sentiram-se bem-aventuradas. Parecia que as sociedades modernas estavam querendo compensar milênios de rejeição. Ingênuo pensamento!
- Quando as mulheres se sentiam no trono do sistema masculino, o mundo da moda as aprisionou no mais grave e sútil estereótipo!- E citou o número ''dois'', profundamente triste.
[...]
Usamos os estereótipos como um padrão torpe para tachar as pessoas com determinados comportamentos. Não avaliamos o conteúdo psíquico delas: se possuem determinados gestos, imediatamente as aprisionamos na masmorra do esterótipo, classificando-as. Os estereótipos reduzem a dimensão humana.
-O estereótipo do belo, no mundo da moda, começou a ser formado pela exceção genética. Que desastre! Que injustiça!- Indignou-se o Mestre.- Para maximizar as vendas e gerar uma atração fatal entre as mulheres, o mundo fashion começou a usar o corpo de jovens completamente dora do padrão comum como protótipo de beleza. Uma entre dez mil jovens de corpo magérrimo e fácies, quadris, nariz, busto e pescoço estritamente bem torneados tornou-se ao longo dos anos o estereótipo do belo. Que consequências no inconsciente coletivo! Esse processo gerou, em centenas de milhões de mulheres, uma busca compulsiva do estereótipo, como se fosse uma droga. Elas, que sempre foram mais generosas e solidárias que os homens, se tornaram, sem perceber, carrascas de si mesmas. Até as chinesas e japonesas estão mutilando sua anatomia para se aproximar da beleza das modelos ocidentais. Sabiam disso?
De repente, ele interrompeu o pensamento de todos citando, consternado, o número ''três''.
[...]
Um estilista o interpelou tensamente:
-Isso é folclore. Discordo das suas idéias.
-Gostaria que fosse. Quem dera minhas idéias fossem tolas- E citou o número ''quatro''.
Nesse momento, uma jovem perguntou, incomodada:
-Por que cita números enquanto fala?
Com os olhos embebidos de lágrimas, disse a todos:
- Lúcia, uma jovem tímida, mas versátil, criativa, excelente aluna, está com 34 kg, embora tenha 1,66 metros de altura. Seus ossos saltam sob a pele, formando uma imagem repulsiva, mas ela se recusa a comer com medo de engordar. Márcia, uma jovem sorridente, extrovertida, uma menina encantadora, está com 35kg e tem 1,60 de altura. Sua face cadavérica leva seus pais ao ápice do desespero, mas ela do mesmo modo se recusa a se alimentar!
[...]
Fez uma pausa, olhou atentamente e disse:
-Durante a minha fala, quatro jovens desenvolveram anorexia nervosa. Algumas superam seus transtornos, outras o perpetuam. E se vocês perguntarem a elas por que não comem, ouvirão: ''Porque estamos obesas''. Bilhões de células suplicam que se alimente, mas elas não tem compaixão com seu corpo, que não tem força para fazer exercícios físicos nem para andar. O desespero para alcançar o estereótipo do belo fê-las adoecer profundamente e estancou o que jamais conseguimos estancar naturalmente: o instinto da fome. [...] O sistema social e astuto, grita quando precisa se calar e se cala quando precisa gritar. Nada contra as modelos e os inteligentes e criativos estilistas, mas o sistema se esqueceu de gritar que a beleza não pode ser padronizada. [...] Onde estão as gordinhas nos desfiles? Onde estão as jovens com quadris menos bem torneados? Onde estão as mulheres de nariz saliente? Por que o mundo fashion que surgiu para promover o bem-estar, está destruindo a autoestima das mulheres? Essa discriminação socialmente aceita não é um estupro da auto estima? Não é tão violenta quanto a discriminação contra os negros?
(Trecho retirado do livro ''O vendedor de sonhos'' de Augusto Cury)
Preparou pera elas a mais cafajeste e sorrateira das armadilhas. Em vez de exaltar sua inteligência e not´ria sensibilidade, começou a exaltar o corpo da mulher como nunca na história. Usou-o exaustivamente para vender produtos e serviços. Aparentemente elas sentiram-se bem-aventuradas. Parecia que as sociedades modernas estavam querendo compensar milênios de rejeição. Ingênuo pensamento!
- Quando as mulheres se sentiam no trono do sistema masculino, o mundo da moda as aprisionou no mais grave e sútil estereótipo!- E citou o número ''dois'', profundamente triste.
[...]
Usamos os estereótipos como um padrão torpe para tachar as pessoas com determinados comportamentos. Não avaliamos o conteúdo psíquico delas: se possuem determinados gestos, imediatamente as aprisionamos na masmorra do esterótipo, classificando-as. Os estereótipos reduzem a dimensão humana.
-O estereótipo do belo, no mundo da moda, começou a ser formado pela exceção genética. Que desastre! Que injustiça!- Indignou-se o Mestre.- Para maximizar as vendas e gerar uma atração fatal entre as mulheres, o mundo fashion começou a usar o corpo de jovens completamente dora do padrão comum como protótipo de beleza. Uma entre dez mil jovens de corpo magérrimo e fácies, quadris, nariz, busto e pescoço estritamente bem torneados tornou-se ao longo dos anos o estereótipo do belo. Que consequências no inconsciente coletivo! Esse processo gerou, em centenas de milhões de mulheres, uma busca compulsiva do estereótipo, como se fosse uma droga. Elas, que sempre foram mais generosas e solidárias que os homens, se tornaram, sem perceber, carrascas de si mesmas. Até as chinesas e japonesas estão mutilando sua anatomia para se aproximar da beleza das modelos ocidentais. Sabiam disso?
De repente, ele interrompeu o pensamento de todos citando, consternado, o número ''três''.
[...]
Um estilista o interpelou tensamente:
-Isso é folclore. Discordo das suas idéias.
-Gostaria que fosse. Quem dera minhas idéias fossem tolas- E citou o número ''quatro''.
Nesse momento, uma jovem perguntou, incomodada:
-Por que cita números enquanto fala?
Com os olhos embebidos de lágrimas, disse a todos:
- Lúcia, uma jovem tímida, mas versátil, criativa, excelente aluna, está com 34 kg, embora tenha 1,66 metros de altura. Seus ossos saltam sob a pele, formando uma imagem repulsiva, mas ela se recusa a comer com medo de engordar. Márcia, uma jovem sorridente, extrovertida, uma menina encantadora, está com 35kg e tem 1,60 de altura. Sua face cadavérica leva seus pais ao ápice do desespero, mas ela do mesmo modo se recusa a se alimentar!
[...]
Fez uma pausa, olhou atentamente e disse:
-Durante a minha fala, quatro jovens desenvolveram anorexia nervosa. Algumas superam seus transtornos, outras o perpetuam. E se vocês perguntarem a elas por que não comem, ouvirão: ''Porque estamos obesas''. Bilhões de células suplicam que se alimente, mas elas não tem compaixão com seu corpo, que não tem força para fazer exercícios físicos nem para andar. O desespero para alcançar o estereótipo do belo fê-las adoecer profundamente e estancou o que jamais conseguimos estancar naturalmente: o instinto da fome. [...] O sistema social e astuto, grita quando precisa se calar e se cala quando precisa gritar. Nada contra as modelos e os inteligentes e criativos estilistas, mas o sistema se esqueceu de gritar que a beleza não pode ser padronizada. [...] Onde estão as gordinhas nos desfiles? Onde estão as jovens com quadris menos bem torneados? Onde estão as mulheres de nariz saliente? Por que o mundo fashion que surgiu para promover o bem-estar, está destruindo a autoestima das mulheres? Essa discriminação socialmente aceita não é um estupro da auto estima? Não é tão violenta quanto a discriminação contra os negros?
(Trecho retirado do livro ''O vendedor de sonhos'' de Augusto Cury)
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
A superioridade das mulheres
'[...] -Mulheres, Mestre? Acho que é uma má escolha.
-Por que?- questionou-me
Antes de eu responder, o Boquinha de Mel felizmente saiu em minha defesa:
-Elas não aguentarão o tranco. Como dormirão embaixo da ponte?
-Que banheiro usarão Em que espelho se arrumarão?- ponderou Salomão. Mas, o mestre retrucou:
- Mas quem disse que elas necessitam deixar o próprio lar para nos seguir? Afinal de contas, cada ser humano deveria vender sonhos no ambiente em que se encontra, seja para si mesmo ou para os outros.
Dessa vez, suas palavras não nos aliviaram. Não admitiamos que uma mulher pudesse participar do grupo, ainda que parcialmente. [...] Infectados pela discriminação, pensávamos que as mulheres, diminuiriam nossa audácia.
[...]Edson também não suportou a proposta do Mestre. Usou seus conhecimentos sobre teologia para dissuadir-lhe as intenções.
-Mestre, Buda chamou aprendizes, Confúcio teve homens como seguidores, Jesus chamou discípulos. Como você quer chamar mulheres para segui-lo? Olhe para a história! Não vai dar certo!
Todavia, o Vendedor de sonhos perguntou contundentemente ao nosso teólogo:
-Quando o mestre dos mestres chamou seus discípulos, onde os colocou: no centro ou na periferia do seu plano?
-No centro, é claro!- Respondeu sem titubear.
- E as mulheres?- indagou, testando-o.
Edson pensou refletiu, pôs as mãos na testa, pois sabia que poderia cair em contradição. E, depois de um prolongado momento anaítico, respondeu com argúcia:
-Não posso dizer que na periferia, pois elas lhe davam suporte material, mas não estavam no centro do trabalho, pois não participaram ativamente do seu projeto.
O mestre novamente olhou pra ele e depois para todos nós
-Errado! Elas sempre estiveram no centro do seu projeto. Em primeiro lugar, segundo as escrituras, Deus não escolheu uma casta de fariseus, de sacerdotes ou de filósofos gregos para educar o menino Jesus, mas uma mulher, uma adolescente não contaminada com o sistema masculino vigente. Em segundo lugar, a primeira pessoa a anunciá-lo na Palestina foi uma mulher, a mulher samaritana. Ela viveu uma vida promiscua, teve muitos homens, mas as palavras dele saciaram sua sede interior. Determinada, reuniu seu povo e falou do homem que a comovera. Uma prostituta foi mais nobre que os líderes religiosos do seu tempo!
[...] O Mestre não contente com nossa masculinidade preconceituosa, investiu ainda mais. Perguntou novamente para o nosso teólogo de plantão:
-Diga-me, Edson. No momento mais importante da vida de Jesus, quando seu corpo tremia na cruz e seu coração claudicava, onde estavam os homens, no centro ou na periferia do seu plano?
Edson, sem cor, demorou a responder. E nós ficamos rubros. diante do silêncio, o Mestre reagiu:
-Seus discípulos eram heróis quando ele abalava o mundo, mas oram convardes quando o mundo desabava sobre ele: calaram-se, fugiram, negaram, traíram. Os homens são mais timidos que as mulheres.
Num ímpeto sociológico, retruquei-lhe:
-Mas eles não fazem guerras? Não empunham armas? Não fazem revoluções?
Porém a resposta veio sem titubear:
-Os fracos usam armas; os fortes usam o diálogo.- Em seguida fez a pergunta que mais temíamos: -Onde estavam as mulheres quando Jesus morra?
Sem muito entusiasmo, nós que conhecíamos a história dissemos:
-Próximas da cruz.
-Mais que isso, estavam no epicenro do seu projeto. E sabem por que?! Porque as mulheres são mais fortes, inteligentes, sensíveis, humanas, generosas, altruístas, solidárias, tolerantes, companheiras, fiéis, sensatas do que os homens. Basta dizer que 90% dos crimes violentos são cometidos por homens.
(Trecho retirado do livro: O vendedor de sonhos de Augusto Cury)
-Por que?- questionou-me
Antes de eu responder, o Boquinha de Mel felizmente saiu em minha defesa:
-Elas não aguentarão o tranco. Como dormirão embaixo da ponte?
-Que banheiro usarão Em que espelho se arrumarão?- ponderou Salomão. Mas, o mestre retrucou:
- Mas quem disse que elas necessitam deixar o próprio lar para nos seguir? Afinal de contas, cada ser humano deveria vender sonhos no ambiente em que se encontra, seja para si mesmo ou para os outros.
Dessa vez, suas palavras não nos aliviaram. Não admitiamos que uma mulher pudesse participar do grupo, ainda que parcialmente. [...] Infectados pela discriminação, pensávamos que as mulheres, diminuiriam nossa audácia.
[...]Edson também não suportou a proposta do Mestre. Usou seus conhecimentos sobre teologia para dissuadir-lhe as intenções.
-Mestre, Buda chamou aprendizes, Confúcio teve homens como seguidores, Jesus chamou discípulos. Como você quer chamar mulheres para segui-lo? Olhe para a história! Não vai dar certo!
Todavia, o Vendedor de sonhos perguntou contundentemente ao nosso teólogo:
-Quando o mestre dos mestres chamou seus discípulos, onde os colocou: no centro ou na periferia do seu plano?
-No centro, é claro!- Respondeu sem titubear.
- E as mulheres?- indagou, testando-o.
Edson pensou refletiu, pôs as mãos na testa, pois sabia que poderia cair em contradição. E, depois de um prolongado momento anaítico, respondeu com argúcia:
-Não posso dizer que na periferia, pois elas lhe davam suporte material, mas não estavam no centro do trabalho, pois não participaram ativamente do seu projeto.
O mestre novamente olhou pra ele e depois para todos nós
-Errado! Elas sempre estiveram no centro do seu projeto. Em primeiro lugar, segundo as escrituras, Deus não escolheu uma casta de fariseus, de sacerdotes ou de filósofos gregos para educar o menino Jesus, mas uma mulher, uma adolescente não contaminada com o sistema masculino vigente. Em segundo lugar, a primeira pessoa a anunciá-lo na Palestina foi uma mulher, a mulher samaritana. Ela viveu uma vida promiscua, teve muitos homens, mas as palavras dele saciaram sua sede interior. Determinada, reuniu seu povo e falou do homem que a comovera. Uma prostituta foi mais nobre que os líderes religiosos do seu tempo!
[...] O Mestre não contente com nossa masculinidade preconceituosa, investiu ainda mais. Perguntou novamente para o nosso teólogo de plantão:
-Diga-me, Edson. No momento mais importante da vida de Jesus, quando seu corpo tremia na cruz e seu coração claudicava, onde estavam os homens, no centro ou na periferia do seu plano?
Edson, sem cor, demorou a responder. E nós ficamos rubros. diante do silêncio, o Mestre reagiu:
-Seus discípulos eram heróis quando ele abalava o mundo, mas oram convardes quando o mundo desabava sobre ele: calaram-se, fugiram, negaram, traíram. Os homens são mais timidos que as mulheres.
Num ímpeto sociológico, retruquei-lhe:
-Mas eles não fazem guerras? Não empunham armas? Não fazem revoluções?
Porém a resposta veio sem titubear:
-Os fracos usam armas; os fortes usam o diálogo.- Em seguida fez a pergunta que mais temíamos: -Onde estavam as mulheres quando Jesus morra?
Sem muito entusiasmo, nós que conhecíamos a história dissemos:
-Próximas da cruz.
-Mais que isso, estavam no epicenro do seu projeto. E sabem por que?! Porque as mulheres são mais fortes, inteligentes, sensíveis, humanas, generosas, altruístas, solidárias, tolerantes, companheiras, fiéis, sensatas do que os homens. Basta dizer que 90% dos crimes violentos são cometidos por homens.
(Trecho retirado do livro: O vendedor de sonhos de Augusto Cury)
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Eu nunca...
...fui uma moça bem-comportada.
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida,
pra paixão sem orgasmos múltiplos
ou pro amor mal resolvido sem soluços
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.
Não estou aqui pra que gostem de mim.
Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.
E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa.
Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...
Eu acredito é em suspiros,
mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,
em alegrias explosivas,
em olhares faiscantes,
em sorrisos com os olhos,
em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,
no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades...
sábado, 15 de outubro de 2011
Tudo que eu queria
Pense em mim quando você estiver fora, quando você estiver lá fora. Eu vou lhe implorar de joelhos e quando o mundo te tratar bem demais... Bem, que pena, eu sou um sonho.
Tudo que eu queria era você!
Acho que vou andar no meu apartamento algumas vezes e adormecer no sofá e acordar cedo para reprises em preto e branco que escapam da minha boca.
Tudo que eu queria era você!
Eu poderia te seguir até o início, só para reviver o início. Talvez então lembraríamos de ir devagar em todas as nossas partes preferidas.
Tudo que eu queria era você!
Tudo que eu queria era você!
Acho que vou andar no meu apartamento algumas vezes e adormecer no sofá e acordar cedo para reprises em preto e branco que escapam da minha boca.
Tudo que eu queria era você!
Eu poderia te seguir até o início, só para reviver o início. Talvez então lembraríamos de ir devagar em todas as nossas partes preferidas.
Tudo que eu queria era você!
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