quinta-feira, 7 de março de 2013

A um passarinho

Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!!
Se é para uma pessoa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.

Deixa-te de histórias
Some-te daqui!

Soneto de véspera

Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angustia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lagrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga magoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martirio da memoria imensa
Que a distancia criou - fria de vida.

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...

Trecho

Quem foi, perguntou o Celo
Que me desobedeceu?
Quem foi que entrou no meu reino
E em meu ouro remexeu?
Quem foi que pulou meu muro
E minhas rosas colheu?
Quem foi, perguntou o Celo
E a Flauta falou: Fui eu.

Mas quem foi, a Flauta disse
Que no meu quarto surgiu?
Quem foi que me deu um beijo
E em minha cama dormiu?
Quem foi que me fez perdida
E que me desiludiu?
Quem foi, perguntou a Flauta
E o velho Celo sorriu.

Ternura

Eu te peço perdão por te amar tão de repente
Embora meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo.
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhas extatico da aurora.

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a magoa de me veres eternamente exausto.
No entanto, a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados.
[...]
Eu deixarei... tu irás e encostarás tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas, tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande intimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essencia do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir e todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Não saber

Não saber. Existe troço pior que não ter noticias da pessoa amada, agora que ela vaga por aí cheia de vida enquanto você tenta soterrá-la no seu peito com pás e mais pás de festas chatas e romances sem ciumes?

A dança



Não fui conforme a dança, fui conforme o que eu queria. E eu queria te fazer feliz e errei o passo.

Nuvens



Nós dois temos os mesmos defeitos, sabemos tudo a nosso respeito, somos suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.
Pra ser sincero, não espero que você me perdoe por ter perdido a calma.
Um dia desses, num desses encontros casuais, talvez a gente se encontre, talvez a gente encontre explicação